"Meu caminho é por mim fora."

26/12/2014

22/12/2014

Casa da Saudade



(Após ter percebido que tinha ficado só na Casa da Saudade, Sarita afirmou:)

Eles é que me podiam ter levado à missa, pelo menos até ao primeiro intervalo!

Casa da Saudade, Filipe la Féria
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18/12/2014

11/12/2014

Flores



Tenho todos os sofrimentos do dia a pesar-me no estômago e assim serenamente afirmo que me apetece tombar na cama e chorar até adormecer.
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Retrato de um dia extraordinário de Dezembro


Acordei quase meia hora depois do previsto, esta manhã, demorei o menos que consegui e saí para a rua cinzenta das primeiras horas de actividade. Tinha na mente as últimas palavras da avó: "Leva roupa que hoje vai estar muito frio!",  e de facto sentia-o em todo o corpo até chegar a meio da manhã. O Sol veio espreitar-nos e nós andávamos sempre à procura da sua agradável companhia e, tirando os seus raios carinhosos, nada mais me ficou das primeiras horas. 
Ao regressar estava a avó apoiada no pilar da casa à minha espera, com a claridade própria do dia a envolvê-la, numa imagem de maternal beleza. Almocei e fui-me fazer de companhia junto dela, disse-me que a mãe viria dentro de poucas horas leva-la ao médico, mas isto não me assustou, não me assusta nada quando a vida não é minha. Iam ao velho médico de família, e mesmo sem interesse fui arrastada para o consultório. Cumprimentou-nos e a avó não tardou a começar a conversa das enfermidades, das suas enfermidades, como assim devia ser. Com o passar da consulta, desviou-se o médico para mim como se fosse a dar-me indicações e perguntou-me:
- Quando entras de férias? Na próxima semana?
Respondi  num curto "Sim" e tornou-me logo:
- Não falas muito, pois não? 
E vindo na minha direcção encetou uma conversa com  a mãe sobre o meu rosto que não me soou bem. Com o jeito habitual de quem vê o que está por fora, mas não compreende o que está no mais recôndito de alguém, prosseguiu com o diálogo e passou-nos uma receita caseira para me curar o mal. Foram para mim momentos desagradáveis, a minha função era apenas a de companhia, porém quem gostava que reparasse na minha presença põe-me de lado e quem quero que me deixe no fundo da sala vem requerer a minha figura. Tocou-me na face, apontou-me os defeitos e deu continuidade ao que dizia. Achei uma atitude rude de quem não mediu bem a essência do outro e não foi capaz de perceber que desagradava. Levantei-me do foco da conversação que me sufocava e fui refugiar-me mais perto da porta por onde ansiava sair. Cumprimentei em jeito de despedida o médico, sem grande ânimo, e voltei para o carro com quem fui a acompanhar. 
Cheguei a casa pior do que antes, com um aperto inexplicável no estômago e uma intensa vontade de chorar apenas porque podia. Mas o doutor deveria hoje aprender que quando se encontra uma porta fechada não se deve forçar a abertura. 
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10/12/2014

09/12/2014

Palavras incendeiam-se em nós


Na rotatividade eterna das estações ficou-se por agora o Outono que traz a chuva ao nosso país, veste as árvores de castanho para depois despi-las e faz o vento soar toda a noite. Tem sabor de algo antigo, dourado, entusiasmante mas agradavelmente tranquilo. É a época em que se principia a acender a lareira e os dias vão sendo cada vez mais curtos em detrimento de longas noites.
Na escuridão deste tempo nocturno, enquanto o corpo descansa e a alma se mantém vigilante, algumas palavras morrem e outras incendeiam-se em nós. Imagens passam-nos constantemente: recordações, visões, utopias, lembrando que a memória nunca morre, nem o devaneio, nem nada! Por isso, o tempo passa sem o sono vir e o coração em intenso desassossego pulsa em consonância com o enorme exército da palavra. Estremece-nos o corpo todo, porque é um só e as palavras têm muito poder que nem o corpóreo tem força e controlo sobre elas. Escrever é a forma única de amansa-las e pô-las em coerência de forma mais ou menos autoritária, e é sobretudo poder falar ao ouvido de quem nos lê, através de signos que se adentram neles, sendo lúcidos e aprazíveis.
Enquanto a manhã não chega serena e reconfortante é tempo de construir em nós um dia a estrear, num monólogo apenas interrompido por longos intervalos de silêncio. Mas tal como na escrita tanto valem as palavras como os espaços em branco entre elas, todo o momento de introspecção é necessário, é urgente quer seja com ou sem discurso. Assim, também se adora em total mudez, quando já estão gastas todas as orações e não se sabe o que Lhe dizer. Melhor talvez seja quando se está vazio e nos entra apenas o que Ele quer, ficamos vazios do que é da Terra e plenos do que é do Céu.
Do mesmo modo, ficamos quando nos ungiram com os óleos do sagrado Crisma, brilhantes, repletos de vontade de acção, ternura, piedade e com os nós da alma desatados. Pisámos pela primeira vez o caminho da constante mudança, procura incessante de santidade que tem apenas uma única fonte de onde queremos beber.


Que seja o Outono com as nuvens, as folhas, tudo num movimento de perfeita suavidade a indicar-nos vestígios de Deus em tudo quanto há. Com Ele saberemos dialogar ou calar, quando o silêncio é preciso, e a as palavras existirão em nós como prova do nosso amor, dedicação, sabedoria, fé. 

Diana F. C. da Silva
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"Meu caminho é por mim fora."

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