"Meu caminho é por mim fora."

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05/09/2026

O sono e os sonhos










Acordei há pouco de uma sesta longa, sem limites impostos por despertador e com perda da noção do tempo. Levantei-me atrapalhada, com receio de ter dormido a tarde inteira. Não dormi, mas a confusão permanece até agora. Não foi um sono ininterrupto, mas consciente das movimentações da casa e do bater das horas na torre da igreja. A dada altura, mergulhei num sono profundo e tive os sonhos mais misteriosos e criativos, que me fizeram acordar ainda mais reflexiva e inquieta. Pelo nível de detalhe, não me aventuro a contar esses sonhos extensivamente, apenas digo que me lembro de dois, ou de duas partes de um único sonho. Na primeira, eu deveria ser uma mera espectadora, porque não me sentia parte da história. Era num tempo diferente, distante, com uma mãe a deixar o filho aos cuidados de um clérigo, homem bom, e depois de vários acontecimentos houve um reencontro anos mais tarde. As mesmas pessoas, rostos mais envelhecidos. A mulher era a protagonista. E eu ali estava. A que fazer? Na segunda, eu vinha a conduzir sozinha e passava por uma terra e pelos seus caminhos com uma ideia vaga de quem já lá passou muito anos atrás e ia descobrindo e lembrando o caminho ao mesmo tempo que o ia fazendo. Estava de tal forma sozinha, que na luz do meio-dia não via ninguém na rua, nem outros carros. Num outro dia, voltei a passar naquele local, mas estava comigo a minha mãe e a minha sobrinha. Dessa vez, havia festa e a mãe quis parar, por não seguir exactamente a mesma linha de deslocação, acabei por ficar um pouco baralhada e quase atropelar um homem. Estacionei, saíamos, e acordei. Porque não houve tempo para aproveitar a festa? 

São os meus últimos dias de férias e, talvez por isso, deva aproveitar estes momentos de sono despreocupado, ainda que muitas vezes acompanhado dos sonhos mais imprevisíveis. Pergunto-me se estou a aproveitar bem os dias, se me estou a despedir bem. Maior parte das minhas férias foram de rotina, mas o que me traz tristeza é que foram sobretudo de falta de energia. Muitos dos dias foram de abatimento, de necessidade de descanso de um cansaço que abrange tudo e atravessa tudo. Houve alguns dias luminosos, em que senti finalmente que estava restabelecida, fresca, pronta para o mundo. Foram poucos, ou então não os guardei na memória tão religiosamente quanto os outros. 

Na verdade, tenho muitas fotografias que me provam como foram felizes estes dias. Tenho muitos rostos, sorrisos, olhares, paisagens, locais, detalhes. Tudo me parece vívido, saboroso, memorável. Contudo, só me lembro quando recordo essas fotos. Porque me acontece esquecer tão facilmente a minha vida?  

Tinha para estas férias grandes planos, o maior deles: renascer. Imaginava uma leveza vinda da mudança de hábitos, de mente, de estilo de vida, que não consegui alcançar. Nalguns dias parecia bem próxima, mas noutros mais distante do que nunca. Quis mudar a nível profundo e superficial e mantive-me igual, afinal de contas. Mas, ao mesmo tempo, alguma coisa se alterou. Sempre alguma coisa se muda, se transforma, se melhora, atrevo-me a dizer... Não sei afirmar com precissão se melhorei, com certeza não sou a pessoa "melhor" que supus. Sei que sou mais natural e isso alegra-me porque me faz mais próxima do que é essencial. Deve ser o segredo para a minha felicidade, o início do meu caminho. Depois de tantos anos de existência estarei no início do caminho? Qual a melhor idade para nascer de facto? E quando é que depois de estacionar irei realmente à festa? 


Agora lancho uma banana e uma sandes. Ao tempo que saboreio os alimentos, as questões dissipam-se. Comer traz este prazer simples que me faz estar de acordo com o mundo, comigo, com o estado das coisas. O estômago confortado traz o equílibrio à mente agitada de tantas ideias.  Mas uma última questão me fica: e o que coração? Que é feito do coração? Talvez um sonho me traga resposta. 



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17/08/2016

Porto ⇄ Fátima

 O que restou de dois dias de viagem a Fátima, saindo cedo e chegando tarde. O que ficou pelo meio resume-se a um longo passeio de carrinha com os pais a fazerem constantes brincadeiras, muitas fotografias, momentos de oração, de reflexão e ainda de descobrimento de locais do país. Esforcei-me para recolher as mais belas fotografias dentro do que me é possível e ao pedir aos meus pais que me captassem no local visitado ora a fotografia ficava torta ora o ângulo não me favorecia de todo. Lamentável mais ainda foi a vontade da minha mãe de nos captar num enorme coração em Fátima, mas inviável, já que uma senhora se decidiu intrometer e passar a fazer parte de uma fotografia que deveria ser unicamente de mãe e filha. De qualquer dos modos, cá estamos e as fotografias foram o que restaram destes dois dias mais algumas recordações físicas e memórias abstractas. 

Interior do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha
Detalhe do exterior do Mosteiro da Batalha
Interior do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha
Fachada do Mosteiro da Batalha
Estátua de D. Nuno Álvares Pereira junto ao Mosteiro da Batalha
Santuário de Fátima
Detalhe da Basílica da Nossa Senhora do Rosário de Fátima
Vista da entrada da basílica da Santíssima Trindade
Exposição "Terra e Céu - Peregrinos e Santos de Fátima"
Capela do Santíssimo Sacramento, Fátima
Vista do Santuário de Fátima pelas costas de São João Paulo II
Detalhe de Aljustrel
Loca do Cabeço
Vista de cima do Calvário Húngaro
Igreja Paroquial de Fátima
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03/02/2016

Esperanças novas








Na cidade grande com uma companhia específica e necessária, as duas num dia de Sol. Eu deveria estar de manga curta por causa da sequência da ideia e devido ao céu azul e à sensação de dias de Verão das imagens, mas já não me recordo. Estive tão atarefada em tirar fotografias a tudo o que via que agora elas não me importam para nada e estão perdidas algures onde a minha memória também já se esqueceu. Foi uma jornada quente, porém. E guardo umas lembranças soltas desse dia, de tal forma que as ordenando podia refazer todo o caminho. Mas não seria igual e já não posso pôr-me da mesma forma como estava, porque já esqueci, pois não me retratei. Se os locais continuam os mesmos e eu posso voltar a pisa-los na mesma ordem com que na primeira vez, para que me serve ir se ao menos eu não sei como era mais nessa altura? Não posso sentir o mesmo nunca mais. Quais seriam os sapatos que teria calçado nesse dia? Será que tinha escolhido a camisola da cruz? Já não importa mais e com certeza que ninguém naquele dia terá guardado a minha imagem nos olhos. Fiquei eu com essas figuras de monumentos altos que parecem engolir-nos e vi-os dias e dias seguidos na solidão das ruas e não mais o regozijo foi o mesmo. A esperança dissipou-se rapidamente e o encanto foi-se com o passar dos primeiros tempos de modo que tudo se tornou um esforço. As horas demoram excessivamente tanto a passarem e todos os meus passos foram horríveis e trágicos, sem a consolação da quietude e dos grandes campos que dão vigor a quem os contempla. Todavia preciso de estar onde é necessário e o Inverno logo dará lugar a tempos de mais Sol novamente. Que nasçam em mim esperanças novas! 
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14/09/2015

Museu Nacional de Soares dos Reis

Por dentro da fachada bonita um interior de ouro.

Vista de dentro do M. N. Soares dos Reis

Mártir Cristão, Joaquim Vitorino Ribeiro
Vista por uma das janelas do Museu

Auto-retrato, José Tagarro

Detalhe do jardim do Museu Soares dos Reis
Firmino, António Soares dos Reis
São José, António Soares dos Reis 
Vista detrás da escultura Conde Ferreira
Detalhe da escultura Conde Ferreira, António Soares dos Reis


Guarnição de corpete

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31/08/2015

Debaixo da Lua


Quando a noite vai descendo ternamente sobre o lar e cobre de mansinho todas as nossas preocupações, alguém se encarrega de alertar que é hora de deitar. E ainda que a televisão convide a uns momentos a sós no sofá da sala, a voz do relógio persiste em dizer que o dia terminou e que a noite foi feita tão somente para descansar das durezas do quotidiano. Vou lentamente em direcção ao quarto e à cama que não quero e sinto que despacho as orações para cair num estado de corrida acelerada de pensamentos aleatórios. Desejo o amanhã intensamente porque não tenho fadigas para descansar e a escuridão é um caminho frustrante para quem apetece a alvura, a pureza das manhãs frescas. 
E quando se está no silêncio da noite, em que nem sequer os bichos querem palrar, ouve-se os relógios a trabalhar com mestria e a apontarem para  o fim, pois em  todas as horas se está algo terminando e principiando outro. A vida estende-se sem agilidade, porque não são dois dias e pode-se caminhar lentamente colhendo os frutos se é a sua estação.  
Há tempo para longas reflexões e memórias esquecidas enquanto o sono não se quer pousar aqui, por causa de uma certa força que me impede de adormecer. Existe uma espécie de ternura nas paredes do quarto que me inunda o coração e me faz desejar levantar da cama e abrir a porta de casa a alguém que fale baixo e ria em silêncio. Talvez até chamar pelos cães para lhes amansar o pêlo felpudinho e ficar a contemplar a cidade na simplicidade da sua nudez. 
Deixo-me estendida a ver de olhos fechados todas estas imagens que se repetem em mim e que são tão doces que chegam a doer. Antes do sono tenho vigor e as minhas ideias estão centradas, as coisas parecem consolidar-se e indicar para soluções gloriosas que me fazem confiar nos amanhãs. Mas a sonolência aproxima-se para me varrer todas as forças e fazer esquecer-me no meio dos cobertores ora mais pesados ora mais leves, conforme a época.
E quando chega a manhã jovem e bela na sua essência mais genuína quero ama-la tão intensamente que me perco nas suas venturas. Os dias correm sem muito rendimento, as forças ficam por se gastar. Quero começar e não sei como. 
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14/08/2015

"Meu caminho é por mim fora."

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