"Meu caminho é por mim fora."

30/04/2015

Julio Iglesias - Vuela Alto




Vuela amigo, vuela alto
No seas gaviota en el mar
Vuela amigo, vuela alto
No seas gaviota en el mar
La gente tira a matar
Cuando volamos muy bajo
La gente tira a matar
Cuando volamos muy bajo
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22/04/2015

These legs are made for walking



Estando no silêncio costumeiro do quarto, ouço a campainha tocar as vezes que assinalam que é alguém da família. Ao chegar à porta não vejo ninguém, mas ouço vagamente a voz da avó a conversar com alguém que passava. Fui ao seu encontro e vi-a sentada no último degrau que apontava para a nossa casa, claramente as pernas não tinham dado conta do recado e ou se sentava rapidamente ou haveria um desastre novamente. Um senhor veio prontamente auxiliar-me a po-la de pé e logo a levei para dentro do lar onde me pediu uma laranja cortada aos pedaços. Deixei-a onde pudesse descansar, dirigi-me à cozinha e então nesse momento constatei que me podia deslocar facilmente onde precisasse ir, estas pernas que inda são jovens e ágeis podem-me levar onde quiser ir e no entanto não quero ir a lado nenhum. 
Soa ridículo, anormal e pouco humano, em dias em que  o movimento é estimado acima de tudo eu pratico o sedentarismo ao máximo. Se as cousas são boas, podem ser avistadas de longe, uma cadeira em frente à secretária é o meu local predilecto para ver a vida a passar. Ver é tudo, muito mais do que desgostar ou apalpar, quem vê sente sempre com mais suavidade e tudo o que é calmo é belo. Não aleija nem mortifica, mas deixa uma leve fragrância que se perpetua nos tempos e isso é bom. É agradável o que fica quando o que tem de ir já se distancia, pois os relógios permanecem invariáveis e as mudanças dão-se constantemente, aquilo que é doce e aprazível cria raízes no nosso coração e não morre nunca, integra-se no nosso espírito e faz aquilo que somos. 
Sair é bom, ficar-se estendido ao Sol é inda mais saboroso. O tempo passa com demora, o pêlo dos animais brilha de forma intensa, a morrinha dá sono e o corpo repousa dos dias convulsos. Não há soluções nos divertimentos mundanos, excessivos, impróprios, há alegrias e outras cousas pseudo-boas que passam rápido. Mas há sabedoria no deixar-se estar a contemplar vezes sem conta aquilo que foi criado para nosso júbilo, como aquelas flores de cores mil que estão no jardim da avó ou as nuvens que passam preguiçosas sob o azul celeste ou inda o som das aves que se desafiam entre si. O vento que passa meigo entre as folhas das plantas ensina-nos a gentileza e as grandes árvores que oferecem sombra instrui-nos sobre a bondade, a nobre caridade. Quando nos damos os dias são mais harmoniosos, e estamos em maior conformidade com a Natureza que é, em todos os momentos, perfeita. 
Saiamos à rua quando conseguirmos vencer a modorra, mas apenas para caminhar direito, para servir quem precisar, para enchermos o nosso coração de luz ou para o limpar com as gotas da chuva, que recomeçar também é preciso, para se ser sempre mais belo, mais atencioso, mais completo. Devemos procurar ser como a melodia de uma doce música ou então ser como o silêncio que jamais é a falta de, mas a plenitude de tudo. Quando em sossego estamos o vento traz-nos os murmúrios de longe e tudo sabemos, porque a alma tem sede de aprender, crescemos na rectidão e alcançamos a felicidade. 
E mesmo estando a descansar agora, a avó saiu, foi de encontro ao que lhe acarinha o coração e eu que estive no conforto do lar, não anseio por chegar a nenhum destino, mas talvez um dia desbrave novos caminhos onde poucos se aventuraram e retorne maior do que sou hoje, porque em qualquer caso estas pernas foram feitas para andar.

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16/04/2015

Ignorância familiar


Entrei na cozinha quase em último lugar e não me agradou plenamente o que vi já nos pratos do resto da família, mas não o comentei negativamente, porque já alguém o tinha feito antes de mim. Peguei no prato que me coube e enchi-o parcialmente de tudo, excepto de ervilhas que tanto me estavam a desgostar. Logo a irmã se insurgiu do outro lado da mesa:
-Diana, não vais comer ervilhas?!
-Não gosto.
-Muito me espantas! Logo tu que queres ser - fez uma breve pausa e olhou-me pensativa - queres ser agricultora! 
"Historiadora", pensei mentalmente a corrigi-la.

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14/04/2015

12/04/2015

Sonic Youth - Superstar




Don't you remember you told me you loved me baby
You said you'd be coming back this way again baby
Baby baby baby baby oh baby
I love you, I really do
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07/04/2015

30/03/2015

Sempre o dia nasce após a noite



As manhãs nascem leves, frescas e com tons por definir, é preciso agasalho para caminhar na rua nas primeiras horas do dia. Nestes momentos de meio termo entre a noite escura e o dia pleno não há sons do quotidiano, há o silêncio do vento a bater nas folhas das árvores altas e magras, a saudade crescente do calor do lar e a esperança de um decorrer de dia sereno, sem preocupações que nos agitem a alma ou nos faça chorar o coração. 
Os dias passam lentos, embora pensemos que correm velozes, porque as horas são vazias e o seu tempo preenchido. O relógio marca a passagem de semente, a planta débil, a planta vigorosa que dá flor, e mais tarde fruto, e quem o come tem os cabelos brancos a crescerem-lhe na cabeça. Que má sorte a que nos faz nascer para morrer e não morrer para nascer! Alguém vela por nós, porém, para que descansemos sem temores e despertemos para a luz e não para as trevas. Ouvi também promessas de que o Seu Paraíso não é pequeno e que as luzes não permitem sombras e deixam ver claramente, mesmo quando se fecham os olhos, que só vêem o aparente, pois a alma torna-se a visão dos cegos e a alegria dos miseráveis. E enquanto cá estamos, turistas da própria vida, somos surdos e insensíveis a tudo quanto não nos afecta directamente. Mas, Senhor, queremos ver-Te com definição no sorriso desdentado das crianças, e no postiço dos idosos, ouvir-Te no cantar simples dos pássaros, cheirar-Te nos campos repletos de flores que crescem espontaneamente, sentir-Te no pêlo macio dos cães, saber-Te o gosto no pão que partilhamos na Eucaristia, inteirarmo-nos de Ti, da tua branda doçura. Aproxima-Te, abre os Teus braços e deixa-nos cientes disso, para que mesmo caindo possamos chegar até ao Teu abraço. Porque sabemos de Ti, no entanto não Te vemos na nossa busca incessante e a nossa vigília é em vão. Retira, Deus nosso, as sombras do nosso coração, as névoas dos nossos olhos e os freios das nossas mãos, para que estejas presente em tudo e para que tudo sejas Tu. 
Pois, quando a noite cai gentilmente sobre os campos e as casas da povoação, mudando a cor do céu gradualmente, o frio que passa pelas frestas das portas arrefece-nos e dá-nos vontade máxima de nos deixarmos cair sobre o leito quente e reconfortante, todavia a realidade não desaparece. A noite é o tempo de preparação para o que virá no amanhã e esse porvir com as suas esperanças é Ele, que nos oferece o renascer, em cada dia após a noite.
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24/03/2015

08/03/2015

Humanidade Inteira


Os dias de Carnaval passam rápidos, envoltos em folia e divertimentos diversos, a população sai à rua quando o tempo de Inverno o permite e liberta-se de todas as preocupações que se têm arrastado nas suas vidas. Os mascarados trazem-nos agradáveis espectáculos visuais, os grandes carros alegóricos pintam a realidade de cores excêntricas e toda a existência parece uma brincadeira contínua. 
Nesta mesma altura inicia-se o tempo de caminhada para a Páscoa, época de sacrifícios e privações que nos permitirá romper com o homem velho que há em nós e fazer nascer o espírito de solidariedade. Durante a Quaresma é necessário que através de jejuns e abstinências nos assemelhemos cada vez mais Àquele que deu a vida por nós. 
É urgente a procura de valores maiores, colocando sempre o próximo no centro de todas as nossas decisões: estando atentos às angústias daqueles que nos rodeiam para que também eles se possam regozijar com a ressurreição de Jesus; partilhando dos nossos bens com o outro que vive só e perece de fome; fechando o nosso coração à indiferença e aos desperdícios, vivendo humildemente e servindo de exemplo cristão para todos que nos observam, de modo a que alcancemos uma alma fortalecida, aberta a Deus e mais próxima dos necessitados. 
Esta foi a missão de Cristo, o caminho que construiu e no qual todos nós somos convidados a percorrer e a dar continuidade aos seus feitos, edificando novas pontes que nos levarão àqueles que vivem isolados da Sua luz.

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02/03/2015

"Meu caminho é por mim fora."

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