"Meu caminho é por mim fora."

31/08/2015

Debaixo da Lua


Quando a noite vai descendo ternamente sobre o lar e cobre de mansinho todas as nossas preocupações, alguém se encarrega de alertar que é hora de deitar. E ainda que a televisão convide a uns momentos a sós no sofá da sala, a voz do relógio persiste em dizer que o dia terminou e que a noite foi feita tão somente para descansar das durezas do quotidiano. Vou lentamente em direcção ao quarto e à cama que não quero e sinto que despacho as orações para cair num estado de corrida acelerada de pensamentos aleatórios. Desejo o amanhã intensamente porque não tenho fadigas para descansar e a escuridão é um caminho frustrante para quem apetece a alvura, a pureza das manhãs frescas. 
E quando se está no silêncio da noite, em que nem sequer os bichos querem palrar, ouve-se os relógios a trabalhar com mestria e a apontarem para  o fim, pois em  todas as horas se está algo terminando e principiando outro. A vida estende-se sem agilidade, porque não são dois dias e pode-se caminhar lentamente colhendo os frutos se é a sua estação.  
Há tempo para longas reflexões e memórias esquecidas enquanto o sono não se quer pousar aqui, por causa de uma certa força que me impede de adormecer. Existe uma espécie de ternura nas paredes do quarto que me inunda o coração e me faz desejar levantar da cama e abrir a porta de casa a alguém que fale baixo e ria em silêncio. Talvez até chamar pelos cães para lhes amansar o pêlo felpudinho e ficar a contemplar a cidade na simplicidade da sua nudez. 
Deixo-me estendida a ver de olhos fechados todas estas imagens que se repetem em mim e que são tão doces que chegam a doer. Antes do sono tenho vigor e as minhas ideias estão centradas, as coisas parecem consolidar-se e indicar para soluções gloriosas que me fazem confiar nos amanhãs. Mas a sonolência aproxima-se para me varrer todas as forças e fazer esquecer-me no meio dos cobertores ora mais pesados ora mais leves, conforme a época.
E quando chega a manhã jovem e bela na sua essência mais genuína quero ama-la tão intensamente que me perco nas suas venturas. Os dias correm sem muito rendimento, as forças ficam por se gastar. Quero começar e não sei como. 
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26/08/2015

A noite vai a meio


A noite vai a meio e tenho medo. Sonhos pesados têm-me perseguido numa corrida desigual e tenho acreditado que não sei destingir o que está dentro e fora da minha cabeça. Enquanto não assento no concreto deixo-me no escuro do quarto frio, mover-me parece uma ideia altamente perigosa e o interruptor que ligará a luz está a um quilómetro de distância. Visiono mentalmente um túnel aberto por onde se podem entrar todos os seres do além e a dado momento decerto algum me puxará o pé. 
Acordo e oro, não sei que pensamentos me poderiam ter trazido sonhos tão aterradores. Algum espírito se estava passeando na minha casa, disposta de forma tão real tal qual como se assemelha na sua veracidade. Foram-se-me as forças e a voz que queria gritar, restaram dores diabólicas e uma família que não se atentava ao meu sofrimento. Corri para o quarto da mãe, deitei-me perto de si asfixiando e entendendo finalmente o que se estava a passar chamou pelo pai que se apressou a vir socorrer-nos com uma cruz. E recordo-me de pensar que seria em vão, tinham que pedir pela presença de um dos nossos padres "Mas estão de férias!", pensei e abri os olhos. Assim estive momentos infindos, de olhos abertos e luz apagada, noite escura como breu. 
Em certo momento aspirei todo o ar e enchi o peito de coragem, liguei as luzes e deparei-me com o quarto exactamente como é de dia. Os espíritos dissiparam-se com a claridade e sosseguei, procurei o sono e não o encontrei. Embalei-me em recordações felizes e adormeci-me ao som de canções da infância.
Kili kili kili 
kili kili kilá
quanto mais a gente ri
bem melhor a gente está
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14/08/2015

09/08/2015

04/08/2015

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