"Meu caminho é por mim fora."

09/06/2015

Maria, alimenta as nossas almas!


Não passam nuvens sob o céu azul. O Sol terno de Primavera mira a nossa face e ao toque dos seus raios luminosos os olhos parecem querer chorar. Aqueles que não se ocupam de nada passeiam pelas ruas da cidade. A aragem é fresca, tranquila e faz propagar o aroma do perfume de alguém que está longe. As flores balançam harmonicamente ao som do doce silêncio do canto das aves que se movem ora pela nossa terra ora por terras distantes e que trazem no bico as histórias de mundos desconhecidos. São belas as cores que dão sentido à vida caótica das rotinas de cada um dos sujeitos da região, é a cor das flores ou a cor da camisola daquele que passa por nós na rua que agora, à luz do dia, se percebem claramente e que ferem a visão com toda a alegria que têm os dias primaveris. 
Na igreja imensa e fria também o Sol se adentra pelas vidraças e vai alumiar directamente o corpo despido de Cristo na cruz, os anjos, os santos, as paredes brancas, o altar impecavelmente asseado e, principalmente, o coração exposto de Maria onde se guarda o maior dos sacrários: o amor de Mãe, o próprio filho nele ocultado. E ela mantém-se serena em todas as suas representações, de braços abertos em convite constante ao afago de mãe jovem e carinhosa. É como um Sol grandioso que não permite névoas e ilumina intensamente os vastos campos onde crescem flores de todas as qualidades; é como a mão que balança o berço do bebé sonolento; ou como um doce perdido no fundo da algibeira. 
Assim como em todo o tempo se repete, vamos caminhando para longe do lar, deixando as purezas originais para trás e acostumando o nosso espírito aos espinhos do caminho, a alma embrutece-se e quase não reconhecemos no outro o rosto do nosso Deus. É um mal cumulativo, mas quando em alguma ocasião voltamos o olhar para Maria e nela o repousamos por largos momentos, orando-lhe, reconfortando-nos no seu colo, é um passo que damos em direcção ao seu filho. Porque é nela que encontramos força para prosseguir, para termos esperança no encontro íntimo e intenso com Jesus, que chegará um dia.
E embora as vozes do mundo lhe firam tanto os ouvidos e lhe façam lacrimejar os olhos, permanece assente no seu Sim de ser mãe do Salvador, e de ser igualmente a mãe de todos os crentes. Está disposta a encaminhar-nos para o amor infinito de Deus, todos os dias sem cessar, levando-nos pela mão ao encontro do Criador, que é nosso Pai e sentimento extremo de afeição.
Maria, nossa doce mãe, guarda-nos dentro do teu coração! Nosso único Sol, alimenta a nossa alma!

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