"Meu caminho é por mim fora."

27/06/2015

V E R Ã O A Z U L

 





Fotografias minhas e do André da Fonseca

Ao chegar a casa depois de um passeio com os melhores amigos dirigi-me ao pai e perguntei-lhe pela mãe, por ser estranho ela não se encontrar em casa àquela hora. Respondeu-me descontraidamente deitado sobre a cama:
- Faltava um acólito na missa e ela foi substituí-lo. 
O meu pai tem o dom de ser poeta nas horas vagas e empregando uma perífrase deu logo a entender que a mãe tinha levado a avó à eucarístia. E rematou para que não restassem dúvidas:
- E parece que a tua avó foi fazer a vez do sacristão! - disse orgulhoso da sua sogra. 
- Qualquer dia também faz a vez do padre! - concluí. 
Assentiu e sorriu como imaginando que esta visão podia bem ser provável! 
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26/06/2015

Pág. 231 | Olhai os Lírios do Campo



Uma semana depois, Florismal morreu. Quando um novo dia clareou aquela sala triste, todos os sub-homens continuaram a gemer ou a sorrir os seus sorrisos de caveira, todos menos Florismal, que a morte surpreendera no sono. O seu rosto conservava a expressão de dignidade. Eugénio pagou-lhe o enterro, comprou-lhe uma sepultura modesta. Voltou do cemitério pensando nos seus mortos. Era uma tarde de fim de Verão, a luz do Sol tinha uma doce qualidade de madureza, o ar macio e levemente azulado. Eugénio sentia uma calma aceitação dos homens e das coisas. Tudo estava bem e ele não desejava mais nada além da posse daquela paz interior que começava agora a entrever. A morte não o assustava. A sua sede de sucesso parecia extinta. Já não sonhava mais com a glória e principiava a não ter medo da vida. 
Sentia um desejo de ternura, de bondade, de gestos mansos. Mas sabia também que aquele instante ia passar, que amanhã haveria no ar, na luz do Sol, e na face das coisas um elemento qualquer de estranheza, de hostilidade, que havia de provocar nele outras reacções. Viriam momentos de fraqueza e desânimo. Surgiriam dificuldades, motivos de irritação. Os seus nervos seriam mil vezes postos à prova. A dúvida tornaria a entrar-lhe na alma. Mas Olívia ainda estaria na sua memória, para ajudá-lo a vencer as crises, até que de novo viessem instantes preciosos como aquele, de pura aceitação, de harmonia, de paz.  


Olhais os Lírios do Campo, Erico Veríssimo
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12/06/2015

09/06/2015

Maria, alimenta as nossas almas!


Não passam nuvens sob o céu azul. O Sol terno de Primavera mira a nossa face e ao toque dos seus raios luminosos os olhos parecem querer chorar. Aqueles que não se ocupam de nada passeiam pelas ruas da cidade. A aragem é fresca, tranquila e faz propagar o aroma do perfume de alguém que está longe. As flores balançam harmonicamente ao som do doce silêncio do canto das aves que se movem ora pela nossa terra ora por terras distantes e que trazem no bico as histórias de mundos desconhecidos. São belas as cores que dão sentido à vida caótica das rotinas de cada um dos sujeitos da região, é a cor das flores ou a cor da camisola daquele que passa por nós na rua que agora, à luz do dia, se percebem claramente e que ferem a visão com toda a alegria que têm os dias primaveris. 
Na igreja imensa e fria também o Sol se adentra pelas vidraças e vai alumiar directamente o corpo despido de Cristo na cruz, os anjos, os santos, as paredes brancas, o altar impecavelmente asseado e, principalmente, o coração exposto de Maria onde se guarda o maior dos sacrários: o amor de Mãe, o próprio filho nele ocultado. E ela mantém-se serena em todas as suas representações, de braços abertos em convite constante ao afago de mãe jovem e carinhosa. É como um Sol grandioso que não permite névoas e ilumina intensamente os vastos campos onde crescem flores de todas as qualidades; é como a mão que balança o berço do bebé sonolento; ou como um doce perdido no fundo da algibeira. 
Assim como em todo o tempo se repete, vamos caminhando para longe do lar, deixando as purezas originais para trás e acostumando o nosso espírito aos espinhos do caminho, a alma embrutece-se e quase não reconhecemos no outro o rosto do nosso Deus. É um mal cumulativo, mas quando em alguma ocasião voltamos o olhar para Maria e nela o repousamos por largos momentos, orando-lhe, reconfortando-nos no seu colo, é um passo que damos em direcção ao seu filho. Porque é nela que encontramos força para prosseguir, para termos esperança no encontro íntimo e intenso com Jesus, que chegará um dia.
E embora as vozes do mundo lhe firam tanto os ouvidos e lhe façam lacrimejar os olhos, permanece assente no seu Sim de ser mãe do Salvador, e de ser igualmente a mãe de todos os crentes. Está disposta a encaminhar-nos para o amor infinito de Deus, todos os dias sem cessar, levando-nos pela mão ao encontro do Criador, que é nosso Pai e sentimento extremo de afeição.
Maria, nossa doce mãe, guarda-nos dentro do teu coração! Nosso único Sol, alimenta a nossa alma!
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04/06/2015

"Meu caminho é por mim fora."

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