"Meu caminho é por mim fora."

18/10/2015

Plana alto sobre a minha cabeça


Tudo o que se desgasta dói mais nos segundos dias, têm-me acautelado em situações várias, mas os dias correm tão indiferentes que não choram os pássaros pelas nossas desgraças, nem esmorecem os outros por caridade. Estão as cousas tão voltadas para si mesmas que não passa o Sol pelas cortinas de minha casa, e não me aquece o coração desnudo. Estou bem, contudo, numa ténue harmonia, numa neutralidade doce e aprazível, porque é Setembro, o mês das cousas difíceis e toda a folia está já gasta. Encetam novos sossegos dentro de mim agora que a luz principia a arrefecer-se muito suavemente. Tenho miragens a brilharem-me nos olhos e oásis a doirar-me os desertos de dentro, quero dar-lhes a todos o teu nome.
Sinto saudades da tua voz a dizer o que nunca ouvi, e de sentir a força que te corre dentro como o mar que bate robusto nos rochedos e ecoa numa melodia tão natural e admirável. Mas reconheço que não te sei mais do que te imagino e fico-me a admirar de longe como astrónomo vigiando o Cosmos todas as noites através da sua vida. Tenho dentro de mim uma ansiedade, uma inquieta vontade de conhecer profundamente o que rodeia todos os meus passos fechados e tão voltados para o que já se deu a conhecer. Creio e desejo um acaso que quebre com a rotina e me encaminhe para os teus atalhos para que possa caminhar nos mesmos carreiros que tu e guardar no fundo dos olhos as mesmas visões que te ficarão presas para sempre na alma. Concede-me a graça da tua honesta amizade, da tua terna companhia e das tuas deleitosas palavras. És um pássaro majestoso que plana alto sobre a minha cabeça, quero fazer-te um ninho no meu coração. Deita-te no colo da minha ternura quando as preocupações transbordarem os seus limites ou quando o dia de tão feliz que vá corrido estejas cansado de o sentir. Concede-me tudo quanto és e verás florir nos meus olhos as tuas belezas.
Mas passas ao de largo ignorando que no meu peito cresce incessantemente um amor doce por todos os teus gestos, uma afeição desmedida pelo teu sorriso e pelas palavras que te vêm do profundo íntimo. Tenho carinho pela tua imagem e venho com ela gravada em mim ao longo dos dias como um ícone a quem se presta veneração e vai buscar forças. E o brilho que vem ardendo nos teus olhos inflama o meu coração e faz querer mais desse remédio que me cura as tristezas. Ainda que me venhas visitar  agora tão raramente nos meus sonhos desejo sempre a visão do teu rosto e a alegria que vem depois dela.
Toca no teu coração e sente o meu pulsando em uníssono, tenho a alma a acompanhar-te em cada caminho que encetas e estou longe a querer-me perto, onde a imaginação se converteria em sensações e memórias em sorrisos e felicidades eternas.

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14/09/2015

Museu Nacional de Soares dos Reis

Por dentro da fachada bonita um interior de ouro.

Vista de dentro do M. N. Soares dos Reis

Mártir Cristão, Joaquim Vitorino Ribeiro
Vista por uma das janelas do Museu

Auto-retrato, José Tagarro

Detalhe do jardim do Museu Soares dos Reis
Firmino, António Soares dos Reis
São José, António Soares dos Reis 
Vista detrás da escultura Conde Ferreira
Detalhe da escultura Conde Ferreira, António Soares dos Reis


Guarnição de corpete

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31/08/2015

Debaixo da Lua


Quando a noite vai descendo ternamente sobre o lar e cobre de mansinho todas as nossas preocupações, alguém se encarrega de alertar que é hora de deitar. E ainda que a televisão convide a uns momentos a sós no sofá da sala, a voz do relógio persiste em dizer que o dia terminou e que a noite foi feita tão somente para descansar das durezas do quotidiano. Vou lentamente em direcção ao quarto e à cama que não quero e sinto que despacho as orações para cair num estado de corrida acelerada de pensamentos aleatórios. Desejo o amanhã intensamente porque não tenho fadigas para descansar e a escuridão é um caminho frustrante para quem apetece a alvura, a pureza das manhãs frescas. 
E quando se está no silêncio da noite, em que nem sequer os bichos querem palrar, ouve-se os relógios a trabalhar com mestria e a apontarem para  o fim, pois em  todas as horas se está algo terminando e principiando outro. A vida estende-se sem agilidade, porque não são dois dias e pode-se caminhar lentamente colhendo os frutos se é a sua estação.  
Há tempo para longas reflexões e memórias esquecidas enquanto o sono não se quer pousar aqui, por causa de uma certa força que me impede de adormecer. Existe uma espécie de ternura nas paredes do quarto que me inunda o coração e me faz desejar levantar da cama e abrir a porta de casa a alguém que fale baixo e ria em silêncio. Talvez até chamar pelos cães para lhes amansar o pêlo felpudinho e ficar a contemplar a cidade na simplicidade da sua nudez. 
Deixo-me estendida a ver de olhos fechados todas estas imagens que se repetem em mim e que são tão doces que chegam a doer. Antes do sono tenho vigor e as minhas ideias estão centradas, as coisas parecem consolidar-se e indicar para soluções gloriosas que me fazem confiar nos amanhãs. Mas a sonolência aproxima-se para me varrer todas as forças e fazer esquecer-me no meio dos cobertores ora mais pesados ora mais leves, conforme a época.
E quando chega a manhã jovem e bela na sua essência mais genuína quero ama-la tão intensamente que me perco nas suas venturas. Os dias correm sem muito rendimento, as forças ficam por se gastar. Quero começar e não sei como. 
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26/08/2015

A noite vai a meio


A noite vai a meio e tenho medo. Sonhos pesados têm-me perseguido numa corrida desigual e tenho acreditado que não sei destingir o que está dentro e fora da minha cabeça. Enquanto não assento no concreto deixo-me no escuro do quarto frio, mover-me parece uma ideia altamente perigosa e o interruptor que ligará a luz está a um quilómetro de distância. Visiono mentalmente um túnel aberto por onde se podem entrar todos os seres do além e a dado momento decerto algum me puxará o pé. 
Acordo e oro, não sei que pensamentos me poderiam ter trazido sonhos tão aterradores. Algum espírito se estava passeando na minha casa, disposta de forma tão real tal qual como se assemelha na sua veracidade. Foram-se-me as forças e a voz que queria gritar, restaram dores diabólicas e uma família que não se atentava ao meu sofrimento. Corri para o quarto da mãe, deitei-me perto de si asfixiando e entendendo finalmente o que se estava a passar chamou pelo pai que se apressou a vir socorrer-nos com uma cruz. E recordo-me de pensar que seria em vão, tinham que pedir pela presença de um dos nossos padres "Mas estão de férias!", pensei e abri os olhos. Assim estive momentos infindos, de olhos abertos e luz apagada, noite escura como breu. 
Em certo momento aspirei todo o ar e enchi o peito de coragem, liguei as luzes e deparei-me com o quarto exactamente como é de dia. Os espíritos dissiparam-se com a claridade e sosseguei, procurei o sono e não o encontrei. Embalei-me em recordações felizes e adormeci-me ao som de canções da infância.
Kili kili kili 
kili kili kilá
quanto mais a gente ri
bem melhor a gente está
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14/08/2015

09/08/2015

04/08/2015

30/07/2015

Amizade na Claridade Do Verão


Nos dias calorosos de Verão em que o suor escorre brilhante pelos nossos rostos e as nossas faces ganham cores quentes de tons rosáceos, chega-se ao lar com os bolsos cheios de inspiração dos dias que passam constantes e colhem frutos sumarentos. A preguiça consola os nossos corpos cansados do trabalho e as festas sucedem-se pelas vilas e cidades em permanente lembrança da alegria constante que traz o Sol quando principia a saudar-nos. 
São nesses dias de pura harmonia que a amizade sabe melhor. Aproveitar as sombras amigas das árvores grandes sentindo toda a Natureza como nossa parte integrante e convivendo com os nossos irmãos de coração. Todas as cousas parecem adquirir um sentido fantástico de clareza e revelar a sua essência de agradabilidade ao poder da luz. Está-se sossegado porque não é possível ficar de outra qualquer maneira, a ternura que os tons cálidos nos oferecem turvam a visão e num misto de uma espécie de divertimento ao sentir o mundo caótico e um esvaziamento total da mente, os problemas minimizam-se imensamente e Deus vive mais firmemente na nossa realidade. 
Os estímulos chegam-nos de todos os sentidos e a alma começa lentamente a libertar-se da morrinha e a nascer para a frescura da vida quando nos encontramos entre aqueles que nos nutrem amizade. Da longa viagem dos dias, das horas tempestuosas e frias do Inverno da nossa existência, ir ao encontro dos dias soalheiros e dos amigos que nos espreitam sabe a um retorno ao Paraíso. E se o tempo é de seca no longo estio a chuva que nos chega é de flores deixadas cair pelos anjos, se estamos juntos e o tempo passa com brevidade. Traz-se os olhos quentes de paisagens em cores vivas e pesadas, e uma brisa sente-se levezinha a refrescar o coração cansado de bater. Nestes tempos de paz não se afigura mal nenhum à vista, pois acontece de a alma pousar a visão em tudo o que é aprazível quando se tem flores a crescer dentro, e de votar reparo nas cousas imperfeitas quando se tem o interior como fruto podre. 
O mundo tende a girar no sentido certo quando deixamos morrer as fadigas nos ombros daqueles a quem temos estima. A vivência parece mais prazerosa, as esperanças voltam a adquirir contornos densos e uma candura extrema apodera-se do nosso ser e faz corar os semblantes de puro contentamento quando estamos entre amigos e é Verão no seu auge.
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19/07/2015

O exemplo das crianças


O nascimento de uma criança é como o desabrochar de uma flor, brota do firme solo uma alegria imensa de contornos selvagens, sem regras e apenas com o dever de sobreviver da forma mais agradável.
Nesse ambiente, há quem já viva, ou melhor, leve a vida da pior forma possível, desvanecido e apagado, como débil criatura com medo da morte que já a assombra. O mundo adulto reveste-se de paredes consideráveis que complexificam as situações mundanas e dificultam a facilidade de interacção com os outros. 
Todavia, as crianças rodeiam-se do melhor do mundo, aprisionam a juventude nas suas ingenuidades e na sua espontaneidade, sendo as verdadeiras guardiãs do paraíso que Jesus nos anunciou. Para elas estão reservadas os maiores tesouros, pois têm a doçura inicial nos corações que lhes permite observar o mundo com a ternura que Cristo nos olhava. 
Os jovens amadurecem num ritmo acelerado pelos mais velhos, perdendo facilmente a essência da sua mocidade, passam a tomar responsabilidades e a conceber o mundo conforme as visões negativas dos seus antepassados, tornando-se o reflexo das sociedades repressivas e ignorantes. 
Assim, é fundamental que se crie uma perspectiva baseada na inocência da infância aliada a alguma racionalidade, tal como regar eternamente a flor interna que nasce nos nossos corações e libertar as suas pétalas no nosso quotidiano.

Diana F. C. da Silva 

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11/07/2015

27/06/2015

V E R Ã O A Z U L

 





Fotografias minhas e do André da Fonseca

Ao chegar a casa depois de um passeio com os melhores amigos dirigi-me ao pai e perguntei-lhe pela mãe, por ser estranho ela não se encontrar em casa àquela hora. Respondeu-me descontraidamente deitado sobre a cama:
- Faltava um acólito na missa e ela foi substituí-lo. 
O meu pai tem o dom de ser poeta nas horas vagas e empregando uma perífrase deu logo a entender que a mãe tinha levado a avó à eucarístia. E rematou para que não restassem dúvidas:
- E parece que a tua avó foi fazer a vez do sacristão! - disse orgulhoso da sua sogra. 
- Qualquer dia também faz a vez do padre! - concluí. 
Assentiu e sorriu como imaginando que esta visão podia bem ser provável! 
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