(Numa segunda aula de Literatura Portuguesa)
O relógio apontava nove horas da tarde. O salão estava quase vazio. As luzes espelhavam-se nos vidros prolongando-se pela cidade. Lá fora as pessoas caminham, outras apitavam com os carros e os gatos procuravam um abrigo. Era Inverno. Era Inverno dentro de mim e lá fora. No salão o quente dos chás era reconfortante. Bebiam-se a queimar a garganta e tudo se mantinha estranhamente em ordem.
Eram nove e o estabelecimento iria ser fechado dali a uma hora. Eu aproveitava aquele lugar tranquilo e harmonioso memorizando cada detalhe da decoração. A quietude apoderava-se da minha alma. Apenas o silêncio e o quente dos chás.
A moça bebia o seu chá de tília e olhava as suas mãos na chávena, como quem quer fugir do que se pensa e não pode... e não consegue. Eram nove horas, eternas nove horas e tudo se acalmava lá fora, porém eu não via, não percebia, só sentia. A moça chamava-me a atenção e eu olhava-a certo que não me via. O seu chapéu claro contrastava com as cores fortes do vestido e do casaco. Bebia, olhava sem olhar e pensava. Eu sentia tão-somente.
Levantei-me, vesti o casaco e preparei-me para sair. A moça olhou-me... e nesse momento partilhamos solidões.

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarOlha eu aqui... Olha! Essa quietude sabe bem. Até eu a senti.
ResponderEliminarO que estás aqui a fazer, Ana? :)
ResponderEliminarInda bem que gostaste.