Vinte e três e vinte e quatro. Muito tarde para se estar acordado, quando todos dormem ou atentam-se ao sono. Depois de um Domingo sereno a passear entre a casa de amigos e festas urbanas, o corpo pesa-me uma pena. Chegado a casa ligo a televisão e afago os móveis, há em mim uma necessidade descomunal de aproveitar cada canto da minha casa. É hora de dormir e como sempre eu estou acordado. Esta manhã faltei-me de primeira vez à missa. Sentia-me completamente cansado, dorido, os olhos fechavam-me quando tentava abri-los. Mas agora não sinto frio, não sinto exaustão, não sinto tristeza, nem felicidade. Estou acordado. Estou acordado, apenas. Nem os cães ladram ou pedem mimos. Não se ouve o fogo-de-artifício ao longe e nem há com quem se disponha a conversar.
Relato pequeno de uma noite
23:50
No comments

0 comments:
Enviar um comentário