"Meu caminho é por mim fora."

27/09/2013

Sr. Ministro


- Sr. Ministro, estava a falar sozinho?!
- Não! Estava a fazer um monólogo.

A mulher do sr. Ministro

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23/09/2013

21/09/2013

Foi ser feliz


9.6.2011

Ele chegou, amigo com a felicidade na algibeira, num dia comum de Outono. Ao contrário de todos os outros não cheirava a perfume, trazia os aromas da infância e nos seus lábios o sorriso sincero de amigo esquecido na memória. Mãos nos bolsos, roupa singela no corpo franzino, o Sol enchia os seus cabelos e inundava a minha alma de vento, o vento que quase me permitia voar. A sua face preenchida de luz chamou a minha atenção para as suas histórias de mundos longínquos, ele já viajara até o inimaginável e eu ouvia-o com a mente cheia dos mais coloridos pensamentos. Os amigos viajam sempre por este mundo inteiro, mas voltam sempre para casa.

A minha mão enrugada pousou na manita jovem dele, é fantástico como depois de tanto tempo ele permanecia… assim, tão novo!  Nada nele mudou. O grande amigo que gostava de escrever histórias de aventuras, o amigo que tinha uma cadelinha de nome Lucy, o amigo que já era mais que irmão e esperava as noites para montar as estrelas. Com ele aprendi o valor de uma amizade. Nunca me esqueci do seu significado, enquanto fico a baloiçar no banco… ele havia dito que quando a velhice chegasse haveria de chegar a solidão, agora acontece sempre. Mas ele foi ser feliz e eu fiquei não muito longe da casa materna. Voltou décadas depois, voltou tão novo como aquando a sua partida. Agora me arrependo, amigo, de não te ter seguido! Talvez pudéssemos encontrar a juventude eterna, juntos. Sei que não pôde traze-la numa caixinha mágica, mas sei também a satisfação que sinto dentro do peito.  
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28/08/2013

A Fofinha parece triste


"A Fofinha parece triste!", penso e digo para  a família. Não é a cadela que roía, brincava e ladrava como dantes. Segue-me para todos os cantos da casa, excepto para o quarto, porque a avó não quer. Mas hoje é excepção. A avó saiu em plena Quarta-feira para uma excursão em Lamego, os pais não foram trabalhar e saíram há pouco para o jogo do Albano. Pergunto-me se será feriado. Fiquei-me. Eu e a Fofinha. Não sei onde param a Piggy e o Miguel Relvas. A Fofinha deitou-se perto de mim, partilhamos chocolate e pêssego ao som de Art Sullivan. Parece-me uma tarde de Quarta muito comum, apesar de tudo. O tempo passa de forma constante e a cadela está sossegada ao fundo da cama. Parece-me triste. E quer-me parecer que tem ciúmes da nova cadelinha. Arrasta-se pela casa, se lhe tocamos faz ar rezingão, não se interessa muito pela comida, apenas continua a ladrar e a atentar-se a morder os desconhecidos. Tem um ar desanimado e velho. Parece-me mais pesada, mas a mãe diz que é impressão minha, que não come quase nada. E na verdade, a mim tudo me parece pesado... mais pesado.
Estamos no quarto e embora queira estar só, posso partilhar o espaço com a Fofinha. Toda a casa está na escuridão, excepto o quarto iluminado por um candeeiro, que lhe dá um aspecto meio que amarelado. A cadela desperta com o barulho da porta de entrada. Corre para a porta do quarto e obriga-me a ir abri-la. Ela faz-me lembrar de mim. Ora rosna e aparenta fazer mal, ora fica-se na preguiça, ora é acordada por uma alegria  pouco duradoura. Mas nesses intervalos de mau humor canino e de alegria pelo som da porta parece-me, simplesmente, triste.
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27/08/2013

Aborrecimento


A música começa, escolho a mais forte, a mais feroz na melodia. Agito-me freneticamente ao seu som, lembro-me um cão que precisa de gastar as energias para acalmar. Mexo os pés com violência e os braços com leveza, sem nenhum sentido de sensualidade ou de belo, apenas um louco que precisa de sossegar-se. Esvazio a garrafa, bebo mais do que como. Ouço a mesma música até saber as notas de cor e a seguir passo para uma mais pesada. Depois de encharcado pelo suor, deito-me estendido na cama e afogo-me outra vez na apatia.
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08/08/2013

Estrugido em Disagero


A avó mandou-me fazer estrugido. Cortei metade de uma cebola para o tacho e perguntei:
- Já chega?
- Não! É preciso a cebola inteira!
- Que exagero!
- Não é disagero não!
Ri-me por entre dentes:
- "Exagero", ´vó, "exagero"!
Respondeu zangada:
- Pronto, se sabes corrige-me!
Saiu da cozinha e foi regar o jardim.

Voltei-me para o meu irmão que estava lá perto e disse a gozar:
- Ai! que disagero, que disagero!
Respondeu-me muito calmamente corrigindo-me:
-  "Exagero", Diana, "exagero"...!


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06/08/2013

05/08/2013

Numa tarde qualquer de Domingo, num documento intitulado Rita, André, Ângela


Saio ao terraço, para ver o dia. Tarde de Sol e frio. Tarde de Domingo.
Regresso novamente ao sofá. Repouso agora, que nada há para fazer. Os dias agitados, terminam num Domingo sossegado. Não há preocupação que me desperte desta apatia. Os cães ladram lá fora, no longínquo. As flores procuram o Sol. As pessoas curvam-se para a televisão. Tudo em demasia calma, tudo na ordem.
Eu, na minha tranquilidade relembro certos episódios, certos rostos, certos sentimentos. E o relógio da igreja acaba de marcar três horas da tarde. Talvez, não devesse estar na solidão, sentada no sofá a pensar, mas talvez se eu cá não estivesse eu não seria como sou.

É estranho pensar, por quantos caminhos se pode vaguear sentada de perna cruzada. Mas, eu agora penso na pessoa em que me tornei. Não sou aquilo que outrora ambicionava ser, mas eu mudei e os meus objectivos mudaram comigo. Eu satisfaço-me, eu sou a pessoa que quero. Estou numa busca interior da felicidade, porque eu sei que não a encontrei em lado algum, excepto dentro da minha alma. Mas é difícil! Enquanto não a alcanço ando de mãos dadas com a tristeza e com a moleza. 
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09/07/2013

Último dia de festas


O último dia de festas trazia-me sempre uma nostalgia, uma saudade forte do som, das luzes, do movimento.  Hoje, pareceu-me uma ilusão, uma recordação de infância muito ténue. As pessoas a passarem em grupos na rua, tão felizes e vaidosas, eu tenho-as visto de longe, junto à coluna da varanda, sei a cara de cada uma  e dentro de mim a inveja reprimida, a apatia, a condenação.
Em todos os dias de festas, as ruas junto à igreja  iluminam-se e abrem-se para a população. Costumava ser a imagem mais bonita, a melhor sensação, toda Rebordosa estava num profundo regozijo. No Domingo chegamos a ser nós a fazer a passadeira para a procissão, mas isso ficou no passado e as flores não são tão bonitas desde então. Nada é tão bonito desde esses dias! Os andores tão majestosos não têm mais tantos olhares para os contemplar e até eu tenho falhas de memória ao tentar lembrar-me de todos os seus nomes. O Sol bateu com muita intensidade sobre esta pequena cidade, durante todos estes dias. Não saí de casa, enquanto que a festa se adentrava pelas paredes deste lar. A novidade de ter todos os santos tão próximos, chamou-me à igreja e mesmo essa estava cheia, de luzes, sons, pessoas, menos de amor. Esse amor que só se mostra no silêncio, na intimidade com Jesus e que eu tento sempre encontrar nas maiores profundezas do meu coração. E é sempre tão difícil! Procuro em mim e não há nada fundo dentro. Tenho esta sensibilidade tão grande, esta alma iluminada, este coração farto de afecto e esta escuridão, rebeldia e impaciência que me fecham para o mundo. Sofro todos os dias, em especial neste dias de festas em que os outros vêm desfilar a sua alegria, esses são todos iguais, exangues de nobreza; de espírito fraco e vazio. Eu amo-os e rezo por eles, porque eles nunca sentirão aquilo que sinto, aquilo que vivo. Eu tenho este pesar, esta inclinação natural para a tristeza. Eu amo a noite que será dia, o riso de Deus nas crianças dos outros e tento amar o que tenho até vir a morte. Essa é a única esperança.
A noite começa e fica-me a recordação do sabor dos pés de São Simão, eu esperei tanto por este dia, eu esperei tanto por este beijo. E tudo o que tinha para lhe deixar aos pés era o meu desgosto, a minha mágoa, e por instantes ofereceu-me um alívio, um intenso consolo. Um beijo, sem ter de me esticar, sem ter de esconder do padre. Um beijo e a única lembrança boa destes tempos.
O fogo-de-artifício faz-me sentir como se estivesse na rua, mas não estou. Estou no sofá do quarto, onde se passa toda  a minha vida. A avó diz-me, já deitada na cama:
- Lá  se foram as festas!
Vira-se e adormece.
É verdade, acabaram. E acaba este dia,  os sons, as luzes, o movimento. O último dia de festas trazia-me sempre uma grande nostalgia!

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06/07/2013

Noite


Eu traria, se pudesse, uma lâmpada da festa e incendiaria o meu coração. 
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