"Meu caminho é por mim fora."

28/09/2014

Diz que até não são uns maus padres!


Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta. (Cf. Apoc 3,8)
Estas palavras que S. João nos oferece no livro do Apocalipse em tudo nos lembra a relação da nossa comunidade com os nossos párocos que são autênticas pontes de ligação com Deus, verdadeiros mediadores e pais espirituais. 
Partindo da sabedoria de um para a jovialidade de outro trilham um caminho comum para nos fazerem em tudo semelhantes ao Eterno Pai, ultrapassando os obstáculos da sua vida sacerdotal e auxiliando-nos nas vicissitudes da vida. Almejam ver com clareza, utilizar a inteligência, a sensibilidade e a erudição para que com os seus exemplos aflore nos nossos corações o ciúme pelo amor sincero a Deus e aos irmãos. Num mundo cada vez mais entregue ao ócio espiritual e à falta de disponibilidade para o alimento da alma, são pequenas luzes que nos alumiam na noite escura e nos fazem acreditar em algo maior que os nossos medos, as nossas preocupações e as nossas futilidades. 
Embora o sr. Pe. Felisberto esteja connosco há menor tempo, tem-nos mostrado com exemplos práticos como chegar aos que nos estão próximos, mas em muito tão distantes! Ainda que um pouco distanciado, ou pela timidez, ou pelo enorme trabalho nas suas diversas paróquias, tem-se exposto sobretudo através das palavras. É um grande e capacitado evangelizador que nos quer mais e melhor educados na fé, para que conhecendo mais a Deus o possamos entender de forma mais fácil e ama-lo fervorosamente. 
O sr. Pe. Mário João, estando connosco há vários anos, mostrou-se um companheiro, um amigo e um verdadeiro pai. Tem um sorriso que ilumina toda a freguesia, pela sua autenticidade e alegria. Tem a virtude de saber interagir com todos, o seu júbilo e humildade faz com que possa ficar pequenino junto aos mais novos e a sua imensa sensibilidade faz com que consiga entender e partilhar as dores com os mais velhos. Maior qualidade é ainda a de saber contrariar os assuntos mais tristes com a sua veia cómica e o seu modo de agir que deixa o Outro em boa disposição.
Devido a todos os seus aspectos positivos temos o dever de ajuda-los a ajudar-nos, através das nossas orações e das acções do quotidiano, evitando dirigir imprecações contra eles e fazer boatos que lhe denigrem a boa reputação. É também de nossa obrigação contribuir para uma comunidade mais unida e mais forte em Cristo, para que sejamos os melhores filhos que o Senhor lhes confiou!

Diana F. C. da Silva
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08/09/2014

05/09/2014

Our house in the middle of our street


A manhã levantou-se cinzenta nesse começo de Setembro, que prometia ser a continuação de Agosto, a gelar a carne e os ossos dos habitantes da região. A avó deixou-me só enquanto foi encontrar as amigas no café do fim do prédio e eu permaneci no quarto de janela aberta a deixar invadir-me pela sobriedade do dia. Era Setembro e estava frio, porém continuavamos com roupa de Verão, o estio que inda não tinha havido nesse ano. Recordo-me bem, porque foi ontem o dia que nasceu cinzento.
Nessas primeiras horas do dia cruzei-me com o pai no corredor, disse-me: "Sai da frente, cachopa!" e agora que penso nisso foi a única cousa que me disse durante todo o dia. À noite, enquanto eu e a mãe estavamos a arrumar a louça do jantar e o pai ficava quieto a fumar o seu cigarro à porta do terraço, entendi que cada um vivia na sua própria casa dentro da nossa casa comum. Passavamos uns pelos outros como sombras nas vias de acesso aos quartos, falavamos apenas quando necessário e conviviamos à mesa abafados pelos barulhos da televisão.
Nas tardes vagarosas a avó era frequentemente assaltada pelo bicho da memória e desenterrava, deitada na cama a ver a telenovela, o passado inglório da família, nesses intervalos de tempo havia espaço para os podres de cada elemento. Ela poderia ficar as tardes inteiras a contar novos episódios da história familiar, desde a morte de um às asneiras de outro, mas a sua parte predilecta era a de ter sido ela a criar-nos e a fazer de nós o que somos. Há em cada cousa nossa um "obrigado" que lhe devemos e ela faz questão de o ouvir. A avó é a beata da nossa casa, aproveita todos os momentos para ir à missa e pôr as rezas em dia, mas enquanto saímos da igreja mais leves ela traz o putefracto, no meio das suas doenças ela tem o coração  corrompido e por isso desaba aos prantos nalguns Domingos à tarde. Nas suas histórias está tudo o que não quero saber, são os factos, as invenções e os mal entendidos que nos afastam para vivermos cada um por si dentro de um território de todos. O Passado mata-nos!
Há nas nossas paredes o rancor a escorrer, crescem ervas daninhas nos nossos corações juntamente com algumas rosas muito espinhosas. Mas pergunto-me como seria se um dia a avó não invocasse os fantasmas do passado, o pai não me mandasse simplesmente sair-lhe do caminho e a televisão não estivesse a falar mais alto do que nós. Era possível que os dias não fossem tão nublados e que deixassemos de viver os restos do passado.
A avó conta-me do tempo em que a mãe era jovem, imatura e não cuidava de nós, mas essas recordações que não tenho e que não são minhas não podem afrouxar o amor que lhe sinto, é mãe e é minha. Os irmãos são meus, o pai é meu, a avó também é minha, pertencem-me e amo-os, amo-os porque me pertencem, mas a uns com mais custo que a outros. No entanto, antes de serem meus cada um é de si e um por um se fecham na sua vida dentro do nosso mesmo lar. Somos família e estamos partidos. Somos as lembraças nossas ou que nos contaram e levamos os dias a falar alto ou a calar. Recordo-me bem, porque foi ontem e toda a minha vida.
Mas, porventura nesses crepúsculos matutinos o Sol consiga iluminar o nosso lar, afastar os ressentimentos e acabar com os dias enovoados que aumentam a escuridão. 
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"Meu caminho é por mim fora."

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