"Meu caminho é por mim fora."

23/02/2014

Pedro da Maia


Sobre Pedro da Maia:


Ao fim de um ano de distúrbios no Marrare, de façanhas nas esperas de toiros, de cavalos esfalfados, de pateadas em S. Carlos, começaram a reaparecer as antigas crises de melancolia nervosa; voltavam esses dias taciturnos, longos como desertos, passados em casa a bocejar pelas salas, ou sob alguma árvore da quinta todo estirado de bruços, como despenhado num fundo de amargura. Nesses períodos tornava-se também devoto: lia Vidas de Santos, visitava a lausperene.  


Os Maias, Eça de Queirós 


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20/02/2014

Rosa e Rosas


A Rosa trouxe-me rosas
E nada mais natural,
Mas eu prendas tão mimosas
É que não tenho, inda mal!

Quando tinha, se me desse,
Não digo mais que uma flor,
Talvez de flores lhe enchesse
Esses cofrinhos de amor!

Águas passadas, Rosinha!
Deixá-lo: veja se vê
Neste chão que já foi vinha
Coisa que ainda se dê;

Veja e escolha: está na mesa
O que há em casa... é tirar,
Tirar com toda a franqueza...
Que inda hão-de espinhos sobrar!

Mas se espinhos, mas se abrolhos
Lhe não agradam, amor!
Mire-se bem nos meus olhos...
Que há-de aí ver uma flor!

João de Deus
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14/02/2014

Dois corações


O dia começou terrível! O tempo de chuva e muito vento, a dificuldade em levantar e o teste de Português marcado para este dia pareciam ser indícios de um duro acabar de semana.
De manhã preparei-me o mais rápido que pude e ao chegar à cozinha a mãe tinha-me deixado um chocolate perto da malga do leite, lembrei-me então que era dia de S. Valentim. Sorri-lhe e saí.
Já na escola salvei-me da gramática graças a uma falha da reprografia. Sei no entanto que metade da primeira resposta está errada, afora isso o dia passou com grande velocidade. Regressei a casa e no voltar fiquei ensopada. Estava realmente muito frio e quando entrei pela porta principal senti de imediato o calor do lar e a sensação que podia finalmente sossegar.
A avó olhou-me da porta do quarto e quando me aproximei dela disse-me:
-  Já chegaste? Trouxe-te um bolo, porque é dia dos namorados. E toma lá este chocolate.
Era igual ao que a mãe me tinha dado de manhã, embrulhado em papel de chumbo vermelho e em forma de coração. Agradeci-lhe e acrescentei que não era preciso, que a mãe já me tinha dado um. Ela reagiu triste:
- Não queres o coração da tua avó?
Respondi que sim, que queria e guardei-o na algibeira do casaco juntamente com o outro.
Mais tarde chamaram-me para jantar. Estávamos apenas as três: avó, mãe, filha. Depois de transportar a louça para a cozinha pedi um abraço à minha mãe. Sorriu, abriu os braços e indagou:
- E tu, o que é que me dás em troca?
- Um abraço também ora essa!
- Eu dei-te um chocolate.
- Eu sei, muito obrigada!
Apertou-me nos seus braços, encostou a cara à minha e ia dizendo:
- Morcona! Morconica!
O meu coração acalmou. A vida valeu a pena. Sorri novamente. E beijou-me. Beijou-me duas vezes.
Voltamos para a sala e cá estou até agora, com a alma descansada e dois corações na algibeira.

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11/02/2014

"Meu caminho é por mim fora."

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