"Meu caminho é por mim fora."

30/12/2013

Dois olhos maravilhosos e irresistíveis, prontos sempre a humedecer-se


Sobre Pedro, filho de Afonso da Maia e D. Maria Eduarda Ruma:

O Pedrinho no entanto estava quasi um homem. Ficara pequenino e nervoso como Maria Eduarda, tendo pouco da raça, da força dos Maias; a sua linda face oval d'um trigueiro calido, dois olhos maravilhosos e irresistiveis, promptos sempre a humedecer-se, faziam-n'o assemelhar a um bello arabe. Desenvolvera-se lentamente, sem curiosidades, indifferente a brinquedos, a animaes, a flores, a livros. Nenhum desejo forte parecera jámais vibrar n'aquella alma meia adormecida e passiva: só ás vezes dizia que gostaria muito de voltar para a Italia. Tomára birra ao Padre Vasques, mas não ousava desobedecer-lhe. Era em tudo um fraco; e esse abatimento continuo de todo o seu ser resolvia-se a espaços em crises de melancolia negra, que o traziam dias e dias mudo, murcho, amarello, com as olheiras fundas e já velho. O seu unico sentimento vivo, intenso, até ahi, fôra a paixão pela mãe.

Os Maias, Eça de Queirós
Read More

29/12/2013

Tarde de Agosto



Uma melodia suave inundava a casa naquela tarde de Agosto, os raios de sol desciam loucos do céu, no jardim as esbeltas árvores proporcionavam arejadas sombras, tudo era favorável ao sossego e ao descanso, contudo uma inquietação pairava sobre o espírito do velho. Sentado num banco do jardim pensava que tormento era aquele que viera tão de mansinho apoderar-se de sua alma, acabar com o que restava dele. Uma melancolia estava desperta, tudo não passava de uma estranha confusão de espírito: o jardim representava tudo o que havia de melhor no mundo, mas a dor que lhe consumia era muito poderosa.     
Read More

"Meu caminho é por mim fora."

Com tecnologia do Blogger.

LABELS

Popular Posts

Seguidores