"Meu caminho é por mim fora."

27/08/2012

Mew - Conforting Sounds




I dont feel alright
in spite of these comforting sounds you make.
I dont feel alright
because you make promises that you break.
Into your house,
why dont we share our solitude?
Nothing is pure anymore but solitude.
...

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21/08/2012

18/08/2012

Ausência



Lúgubre solidão! Ó noite triste! 
Como sinto que falta a tua Imagem 
A tudo quanto para mim existe! 

Tua bem-dita e efémera passagem 
No mundo, deu ao mundo em que viveste, 
À nossa boa e maternal Paisagem, 

Um espírito novo mais celeste; 
Nova Forma a abraçou e nova Cor 
Beijou, sorrindo, o seu perfil agreste! 

E ei-la agora tão triste e sem verdor! 
Depois da tua morte, regressou 
Ao seu velhinho estado anterior. 

E esta saudosa casa, onde brilhou 
Tua voz num instante sempiterno, 
Em negra, intima noite se ocultou. 

Quando chego à janela, vejo o inverno; 
E, à luz da lua, as sombras do arvoredo 
Lembram as sombras pálidas do Inferno. 

Dos recantos escuros, em segredo, 
Nascem Visões saudosas, diluídos 
Traços da tua Imagem, arremedo 

Que a Sombra faz, em gestos doloridos, 
Do teu Vulto de sol a amanhecer... 
A Sombra quer mostrar-se aos meus sentidos... 

Mas eu que vejo? A luz escurecer; 
O imperfeito, o indeciso que, em nós, deixa 
A amargura de olhar e de não vêr... 

A voz da minha dor, da minha queixa, 
Em vão, por ti, na fria noite clama! 
Dir-se-á que o céu e a terra, tudo fecha 

Os ouvidos de pedra! Mas quem ama, 
Embora no silencio mais profundo, 
Grita por seu amor: é voz de chama! 

E eu grito! E encontro apenas sobre o mundo, 
Para onde quer que eu olhe, aqui, além, 
A tua Ausência trágica! E no fundo 

De mim proprio que vejo? Acaso alguem? 
Só vejo a tua Ausência, a Desventura 
Que fez da noite a imagem de tua Mãe! 

A tua Ausência é tudo o que murmura, 
E mostra a face triste à luz da aurora, 
E se espraia na terra em sombra escura... 

Quem traz o outono ao meu jardim agora? 
Quem muda em cinza o fogo do meu lar? 
E quem soluça em mim? Quem é que chora? 

É a tua Ausência, Amor, que vem turbar 
Esta alegria etérea, nuvem, asa 
De Anjo que, às vezes, passa em nosso olhar! 

O Sol é a tua Ausência que se abrasa, 
A Lua é tua Ausência enfraquecida... 
Da tua Ausência é feita a minha vida 
E os meus versos também e a minha casa. 




Teixeira de Pascoaes
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17/08/2012

Céu e Tristeza


Tu és o poema.
a árvore de fruto
o Sol
o filho varão
a água cristalina
a verdade...

Eu sou o poeta.
a árvore tombada
a Lua
o filho enjeitado
o vinho envenenado
a mentira...

Tu és a alegria.
Eu sou a infelicidade.

Tu és a alegria.
Eu ... sou.
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14/08/2012

Dei-te vários nomes exóticos e raros


Dei-te vários nomes exóticos e raros, 
iguais aos que se dão 
aos amigos imaginários:
Nicolau, Teobaldo, Belisário.
Levavas uma eternidade 
a chegar e a partir
e eu invejava a infinita calma
dos teus movimentos ancestrais e meditados.
Eu queria que tu fosses a paciência 
capaz de apaziguar a minha pressa. 
Quando desapareceste da varanda alta
da minha casa virada a sul, 
imaginei que te tinha dado a pressa de voar. 

José Jorge Letria
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03/08/2012

Lembranças que lembrais meu bem passado


Lembranças, que lembrais meu bem passado
para que sinta mais o mal presente:
deixai-me, se quereis, viver contente, 
não me deixeis morrer em tal estado.

Mas se também de tudo está ordenado
viver, como se vê, tão descontente,
venha, se vier, o bem por acidente,
e dê a morte fim a meu cuidado.

Que muito milhor é perder a vida, 
perdendo-se as lembranças da memória,
pois tanto dano faz ao pensamento.

Assi que nada perde quem perdida 
a esperança traz da sua glória,
se esta vida há-de ser sempre em tormento.


Luís de Camões
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01/08/2012

A Direcção do Sangue


Quando se viaja sozinho
pelas imagens que perduram
as evocações ganham um modo tão real
A mancha ténue dos arbustos
indica o caminho para o regresso
que nunca há
o mar ficou de repente perto
sobre esta praia travámos lutas
para as quais só muito depois
encontramos um motivo
era à pedrada que nos defendíamos
do riso mais inocente
ou de um amor
Mas aquilo que nunca esquecemos 
deixa de pertencer-nos e nem notamos
Estamos sós com a noite
para salvar um coração

José Tolentino Mendonça
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