"Meu caminho é por mim fora."

25/05/2012

A Casa dos Espíritos, excerto


"Esvaziei-me por dentro como um balão picado, foi-se-me todo o entusiasmo. Fiquei sentado na cadeira olhando o deserto pela janela, quem sabe por quanto tempo, até que lentamente a alma me voltou ao corpo."
A Casa dos Espíritos, Isabel Allende 
Read More

22/05/2012

Para os Amigos



De entre todos, apenas vós 
tendes direito a ver-me 
fracassar. Onde caio 
entre a vossa irónica 
doçura implacável, convosco 
partilho o pão e o espaço 
e a rapidez dos olhos 
sobre o que fica (sempre) 
para dar ou dizer. 
E de vós me levanto 
e vos levo pesando 
e ardendo até onde 
me ajudais a ser 
melhor ou talvez 
menos só.

Vítor Matos e Sá

Read More

Muito tarde




Talvez quisesse vir comigo jazer na terra e sentir o corpo preso ao solo fecundo, os suaves raios de Sol a tocar-lhe a cara, os olhos cerrados, a mente a deliciar-se com as boas recordações e a desfrutar a quietude, segurar a terra com um sorriso de esperança… que não nos iríamos converter em fotos empoeiradas, a memória esquecida e o Passado sem importância. Talvez quisesse, mas eu sempre fui sozinha e agora é sempre tarde demais.  
Read More

21/05/2012

BURNT NORTON



O tempo presente e o tempo passado
están quizais ambos presentes no tempo futuro
e o tempo futuro contido no tempo presente.
O que podería haber sido e o que foi
apuntan a un fin único, que é sempre presente.
Resoan pisadas na memoria
polo carreiro que non percorremos
cara a porta que non abrimos nunca
no xardín de rosas. As miñas palabras resoan 
así, na túa mente.
Pero con que propósito
remexen o po da cunca de follas de rosa 
eu non sei.
Outros ecos 
habitan no xardín. ¿Continuaremos?


T. S. Eliot
Read More

13/05/2012

10/05/2012

09/05/2012

Poema à Mãe


No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade 
Read More

08/05/2012

Estar-se só



Um cão pede-me carinhos, roçando com força a sua pata dianteira na minha perna e nas costas. Um gato boceja a ver esta imagem e um outro cão dorme perto da porta. Sinto-me só, tão só que até a companhia de uma mosca faz sentido.

Read More

"Meu caminho é por mim fora."

Com tecnologia do Blogger.

LABELS

Popular Posts

Seguidores